"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

POETA-POEMA, 33: MAURO MOTA

Os peixes do pernambucano Lula Cardoso Ayres (1910-1987).
| Expor um poeta, defini-lo com um só poema.
Despertar com ambos alguma consciência. |

CAIXA DE ÁGUA

A água na caixa de água,
entre o cimento e o cobre,
imóvel, dorme. Sonha.
Maré, peixe, alga ou bote?

A água bebia a pedra,
mas, sedenta na caixa,
nem um gole consegue
da engenheira embalagem.

A água na caixa e, na água,
um legado de espuma,
de espuma prisioneira.
Fonte, rio, onda ou chuva?

MAURO MOTA (1911-1984). Poeta e prosador brasileiro, nascido no Recife, PE. Estreou com Elegias (1952). Com evidentes raízes em elementos do cotidiano, sua poesia é uma espécie de retrato da vida brasileira. O poema acima, com seu inesperado ponto de vista, integra o volume Itinerário (José Olympio, 1983).

Um comentário:

Ricardo Thadeu disse...

um belo poema, mayrant
entrou para a lista de aquisições rs
abraço