"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

POETA-POEMA, 28: MÔNICA MENEZES

Moça com guirlanda de flores, de Marie Laurencin.
| Expor um poeta, defini-lo com um só poema.
Despertar com ambos alguma consciência. |

MUITAS

há uma de mim que caminha
sozinha
na tarde chuvosa
uma de mim dança
desnuda
dentro da canção
há uma de mim que lamenta
cansada
pelo fim dos dias
há uma de mim que sorri
inteira
para o teu amor
uma de mim nasce
e uma de mim morre
todos os dias
há muitas e muitas e muitas e muitas de mim
e cada vez mais

MÔNICA MENEZES (1975). Poetisa brasileira, nascida em Lagarto, SE. Seu lirismo coloquial, firmado na experiência cotidiana do eu, aproxima-a de uma das grandes vozes do continente: Idea Vilariño. Depois de estrear numa antologia coletiva, foi publicada em âmbito nacional, com destaque, pela extinta revista Entrelivros (2005). O poema acima está em Estranhamentos (P55, 2010).

2 comentários:

Lidi disse...

Amo a poesia de Mônica Menezes.

Mônica Menezes disse...

Mayrant, sinto-me honrada por estar aqui. Obrigada. Ultimamente, mibha poesia dorme. Um abraço. E Lidi, você é sempre encantadora. Obrigada também. Bjs