"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

AQUI E ALÉM

A idéia de um mundo na vida e outro na morte é tão antiga quanto o homem. Viver ou padecer aqui, e desfrutar ou penar além. O mundo dos mortos ou é o paraíso ou o inferno, talvez o desconhecido... O mundo dos vivos, este, de dias e noites, de chuva e sol, de um rosto que nos chama e outro que nos despreza... Mas, para os escritores modernos, uma vez que vamos morrer, já estamos mortos. Não há mais separação, nenhuma linha divisória, os sonhos se fundem. Jorge Luis Borges: “O homem esquece que é um morto que conversa com mortos”. Camus: “só existe um mundo. A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis”. E o zombeteiro Stanley Elkin, que pergunta: “Quem é que não está morto?”

10 comentários:

Anônimo disse...

Mais um Álvaro de Campos (se não me engano) "cadáveres adiados que procriam". Paulo André

André Setaro disse...

Apesar de conhecê-lo como escritor, tive, ontem, o prazer de estar, a vivo e a cores, na sua presença. Mas também não conhecia este excelente blog, que já o linkei devidamente no meu. E reparei que 'Setaro's Blog' está citado neste seu espaço virtual. Apenas posso dizer muito obrigado.

A ler seus 'posts', constatei o gosto requintado pelo grande cinema, um cinema que o vento já levou mas que continua vivo na memória de seus apreciadores. Sim, também me considero 'inventor' das fitas magnéticas, pois era um sonho que, afinal, tornou-se realidade, ainda mais 'definida' com o advento do DVD. O cinema, para mim, era fugidio e inacessível. Não acreditei quando me contaram que existia um aparelho capaz de exibir, em casa, os grandes filmes. Tomei um susto quando vi, numa barraca de frutas, a caixinha de 'Cidadão Kane', que fazia parte de uma coleção vendida em bancas.

O mundo mudou, definitivamente.

aeronauta disse...

Eu não tenho a certeza se estou viva (quem tem?); digo sempre isso para os meus alunos.

Georgio Rios disse...

Caro Mayrant,
Então a mesma marcha.O mesmo destino comum...É o homem...

Caro Tenho uma edição da mesma do livro de Areia de Borges.Uma beleza.

Anônimo disse...

Jazemos já no primeiro suspiro. E a fila prossegue. T

Palavras Cruzadas disse...

Fala Camarada,

Sobre o livro ao lado, a obra prima de Juan Rulfo, tenho uma edição mais nova em que traduziram o volume de contos como "Chão em Chamas", do original "El llano en llamas".

Será que ele estava morto desde o começo em Pedro Páramo???

P.s: te linquei maluco.

Carlos Barbosa disse...

Leio a frase de Borges fora de sua literalidade. Vivos são mortos, mortos são vivos, ambos eternos. Cada vez melhor seu blogue, Mayrant. Abr. (carlos)

Silvestre Gavinha disse...

Hehe, a minha edição não é essa não, é diferente. Mas esse é o livro pelo qual tive meu primeiro contato com esse maravilhoso Borges. Só depois, muito tempo li Ficções. Onde foi que já falamos, ou você falou: Sonhamos ou somos um sonho sonhado??? Do mesmo Borges não é??? Hoje a moda na verdade, na vida, é morrer de medo da morte. E dá-le fluoxetina, sertralina, rivotril, para não acordar e viver.... "Mundo mundo, vasto mundo."
Muito bom sempre você.
Abraço
Marie

Viviane Costa disse...

Não penso muito em morte, mas, por vezes, assim que levanto da cama, me pergunto se acordei mesmo ou se naquele momento é que começo a sonhar.
Esse blog novo tá 'o que há', viu? Me perco nesses questionamentos... Bjs.

Renata Belmonte disse...

Estou viva? Esse blog novo sempre mexe comigo!
Abraços