"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

sábado, 20 de dezembro de 2008

O IMPEDIMENTO

Era uma vez um garoto que desejava muito ter uma bola de futebol, mas seu pai, embora não passasse por dificuldades financeiras, jamais lhe deu uma de presente, nem no aniversário, nem no Natal – e foram muitos os Natais... Isso porque jamais encontrou um modo de disfarçar a redondez do embrulho, de maneira que o filho, muito antes de abrir o pacote, não soubesse do seu conteúdo, estragando assim a beleza do milagre...
Miniconto incluso no livro Nem mesmo os passarinhos tristes.
Foto: cena do filme O milagre de Berna (2005), de Sönke Wortmann.

5 comentários:

Simone Lima disse...

Porém desta maneira, o pai também perdeu várias oportunidades de ter visto o milagre do sorriso de uma criança feliz... às vezes o maior milagre está tão perto que não conseguimos ver... Um abraço!

Anônimo disse...

Mayrant: parabéns pelos textos sempre líricos e sem arrodeios desnecessários. É justamente por isso que gostaria de te fazer um convite. Poderia por favor contatar-me no e-mail rosel@casaraodoverbo.com.br
ou roselbonfim@hotmail.com
Abraços,
rosel

Georgio Rios disse...

Simplismente um mine que resulta em uma síntese de natal de muitos garotos,como eu fui, ou sou, nem sei mais...Mas, sempre em meu natal fui privado de algumas coisas,inclusive em um dos natais a morte presenteou meu avô com uma viagem sem fim...Desde então o natal abriu-se num eneorme vazio...
Parabéns pelo mine, agurado o livro...Talvéz ele regate um natal qualquer...

Carlos Barbosa disse...

Terrível, impactante, como deve ser e é tão raro conseguir num miniconto. A crueldade numa forma egótica e absurda. Leitura da qual se não se sai facilmente. Parabéns também pelo título do livro. Abr. (carlos)

Silvestre Gavinha disse...

Mayrant,
esse miniconto é maravilhoso.
Que bela cirurgia fizesses a esse senhor para descobrir em sua alma esse terrível mêdo de encarar a alegria.
E devo concordar com o amigo acima, o nome do livro é muito também.