"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

ESTILIZAÇÕES

Os escritores − muito mais que outros artistas − são sempre indivíduos inconformados com o que fazem ou com o que os demais escritores fazem e como o fazem, não importa o gênero de sua preferência nem o contexto em que estejam inseridos. Alguns acreditam nas regras e as seguem com rigor de relojoeiro. Outros, aferrados ao extremo oposto, subvertem-nas sem nenhum critério se não o acaso, a música das palavras, a vontade desta voz primordial que rege os sonhos. Ora, lutar aleatoriamente contra um estilo literariamente bonito e correto ou praticá-lo sem concessões de nenhuma natureza é, ainda assim, ocupar-se de buscar um estilo − uma espécie de marca, pessoal ou coletiva. Na arte, como na vida, só há desprezo no silêncio, na indiferença. Quer ser contra? Não escreva.

Fotos: representação de uma aula de literatura, no filme Garotos incríveis (2000), de Curtis Hanson.

4 comentários:

Mirdad disse...

Nem venha com essa. Vc é naturalmente contra. E isso é fascinante! E "non-stop", non-master!

Hitch disse...

Como minha escrita é episódica, pra que lado? Ou todos os lados? Aquele abraço.

Esterança disse...

Olá!!


Passando para deixar um abraço e um pensamento:


" Antes de encontrar o caminho da página, uma palavra tem primeiro de fazer parte do corpo, tem de ser uma presença física com quem se vive tal e qual como se vive com o coração..." (Paul Auster)

Boa semana!

Silvestre Gavinha disse...

Viu por que te disse que não acho que eu possa ser uma boa escritora??
Meu lado Poliana ou Pauloleminskiana não é tão contra assim, talvez...
Essa minha mania de achar que tudo tem sempre dois lados. Você pode estar do outro lado do lado.
Será que isso me faz uma má leitora também???
Aparte à imagem do livro do Baricco ali da faixa ao lado. Amo Baricco e Seta ao lado de Novecento é um dos mais belos livros. Em estilos completamente diferentes. Mas o sinal comum é sem dúvida, o extremo senso poético. Sem sangue eu não conhecia. Vou procurar.
Grande abraço
Marie