"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

sábado, 24 de janeiro de 2009

AH!

Um dia desses, me perguntaram por que não escrevo nada profundo... Profundo? Quem foi, quem é, quem será? Machado de Assis? Joyce, Proust, Pessoa, Tchekov, Kafka? Ou os menores: os poetinhas do rigor e da forma, que ainda acreditam que poesia é métrica, rima e um verso lapidar, que luz só em suas cabeças? Profundidade é a parte que o leitor comum não compreende e o leitor arrogante julga que decifrou. Duas ilusões. Nascidas, a primeira, de um superestimado pesadelo, e a segunda, de um sonho de grandeza. Do ponto de vista do criador, é exatamente a consciência de que é preciso buscar uma profundidade que a anula e nos faz rasos, quando não ridículos, piegas. Abençoados os rasos conscientes. Não sou um deles.

Foto: Nathy Silva.

3 comentários:

Silvestre Gavinha disse...

É Mayrant,
Tudo é sempre uma questão de ponto d vista né??? O cara que te falou de profundidade deve ter o dele muito raso (o ponto de vista e quem sabe mais o quê. Hehe).
Eu, falando do ponto de vista de uma pessoa baixinha (1,51m sempre me deram uma perspectiva um pouquinho diferente da média, hihi) tenho uma impressão completamente diferente.
Mas desculpa lá, acho que não conto mais. Sou tiete assumidíssima dos teus textos. Já se sabe.

Ah, "procedimento artístico" foi o que você comentou no meu texto sobre o poeta??? Quase morri de orgulho. Brigadinha.
Marie

,todo inseto, disse...

Amém.

Cleilton.

Mirdad disse...

Excelente espetada!
Abs,