"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 2 de abril de 2009

VIVER, ESCREVER

Leitores às vezes julgam na escuridão; críticos, na penumbra. Quais as intenções de um livro? Quais as intenções do autor? E do texto? Das frases (sempre um mistério)? Das palavras (nascidas, não raro, de incidentes da própria criação)? E quais são as influências das circunstâncias, do contexto, da contingência histórica? Meio, família, visão de mundo, grau de instrução, realizações pessoais, fracassos, medos e eventuais pressões de natureza sócio-econômica interferem ou não em quem escreve? Segundo Hemingway há uma diferença enorme entre aquele que “vive para escrever” e aquele que “vive de escrever”. Por exemplo, David Goodis, que disse: “No começo, eu queria escrever de modo solene e só abordar os grandes problemas, mas logo aprendi que o problema mais importante era comer, então eu me conformei em escrever o que os editores queriam”. Autor, talvez, dos mais poéticos romances policiais já escritos, Goodis morreu aos 49 anos em conseqüência dos ferimentos numa briga de rua.

Imagem: cartaz de Tirez sur le pianiste (1960), de François Truffaut, baseado no romance Down there (1956), de David Goodis (1917-1967).

4 comentários:

Mirdad disse...

"vive para escrever"
"vive de escrever"

vive ou escreve(rrrr)?!!!

Silvestre Gavinha disse...

Ultimamente não vivo nem escrevo.
Corro alucinada atrás de minha própria cauda. A cobra continua fumando.
Adorei os poemas do leste europeu com sotaque português.
Saudades de vir aqui.
Tão ausente de mim que ando.
Grande abraço
Marie

Fabrício Brandão disse...

Meu caro Mayrant, saudações pelo belo trabalho que organizas aqui. Falando nisso, gostaria de entrar em contato contigo por e-mail. Segue o meu: diversosafins@gmail.com

Grande abraço!

aeronauta disse...

Mayrant, gostei demais da "janela indiscreta"! Lindas fotos.