"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

AMOR DE MÃE EM TARDES DE OUTONO

Pintura de José Pancetti (1902-1958).
No precioso volume As mais belas páginas da Literatura Árabe, organizado pelo insigne Mansour Challita, e que é uma fonte quase inesgotável de minicontos milenares, há este, de autoria de Al-Asbahani e intitulado:

AMOR DE MÃE

Uma anedota popular árabe conta que uma mãe, a quem perguntaram a qual dos filhos mais amava, respondeu:
"Ao pequenino, até que cresça; ao enfermo, até que cure; ao ausente, até que volte".

Minha mãe, ao mesmo tempo emotiva e cartesiana, era bem assim. E aqui fica este texto, em sua memória, pois hoje, se viva, completaria 81 anos.

Quanto ao belo quadro de Pancetti, é inevitável que ele me faça recordar o tempo em que moramos numa ilha, no RJ. Não era incomum que minha mãe, nas tardes de outono, que não eram quentes nem frias, me levasse, pequeno, a caminhar pela praia. A sensação que tenho hoje, ao me recordar daqueles momentos, é a de que estávamos sozinhos no mundo. Como as duas figuras no quadro. Assim são as lembranças, simples interpretações.

8 comentários:

Por que você faz poema? disse...

:'(

Carlos Barbosa disse...

Me emocionou, amigo. Abr (carlos barbosa)

M. disse...

Era um texto assim belo e simples que eu precisava ler hoje, meu amigo. Um abraço.

Georgio Rios disse...

Meu caro amigo,bela homenagem. Emocionou-me. Um abraço

Muadiê Maria disse...

As lembranças somos nós. Essa é das boas.
Beijo, Mayrant

Lidi disse...

Que coisa bonita, Mayrant!
Um abraço.

Evanillton Gonçalves disse...

Belo texto, Mayrant. Leio agora, bem depois de você ter publicado aqui, mas a sensação é de estar ao seu lado, escutando você ler o texto em voz alta. Sorte a sua poder fazer essa analogia de memória com esse belo quadro do Pancetti. Abraços, camarada. ;-)

Ianice disse...

Só hoje, li essa bela homenagem que você fez para Zezé, sua mãe, que não é a minha mas poderia sê-lo...a dor voltou. A dor da perda que já tinha dado lugar à saudade. Mano, meu abraço!!