"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 7 de novembro de 2010

LEITURAS, 4: AU-AU

Au-Au: três contos de cão é o terceiro volume da Coleção 3 Contos, da pequena mas criteriosa editora Dantes, do RJ. Enfeixados junto ao colosso da literatura inglesa Rudyard Kipling, aparecem o carioca João do Rio e o baiano Dias da Costa. Este último, sem dúvida, é o mais esquecido. Nascido em 1907, no Largo da Piedade, aqui pertinho, pois estou nos Barris, Dias da Costa publicou dois volumes de contos: Canção do beco (1939) e Mirante dos Aflitos (1960). Ele comparece ao volume da Dantes com o conto O cachorro Au-Au e outros cachorros, de seu primeiro livro. O conto de João do Rio é Os cães e o de Kipling (o mais sofisticado dos três, repleto de reflexões e sutilezas psicológicas), Garm, um refém. Nos três relatos o cachorro é o centro da narrativa: ou porque sofreu um deslocamento (mudança de dono ou casa) ou porque infesta o ambiente, caso específico do conto de Dias da Costa, cuja trama se desenvolve num beco cheio de cães. Nestes contos, muito ficamos sabendo dos cães, mas igualmente dos homens. Em Kipling, compreendemos que a ausência é um sentimento que pertuba as duas espécies e faz sofrer; no de Dias da Costa, cão e Homem chegam a uma mesma solução para um problema cotidiano, que é o da interferência do "outro", e no de João do Rio, que o amor (ou desejo, como queiram chamar) é universal, comum a todas as espécies. Mais que sobre cães (ou pessoas), estes são relatos sobre a essência do ser vivo, ou da própria vida.

No final do volume, a editora dedica o livro a vários cães famosos, entre os quais Baleia, Pluto, Buck, Lassie e Bidu, mas esquece o Snoopy, talvez o mais célebre de todos.

Um comentário:

homensdopantano disse...

adoro cães e todos os animais - visite nosso pântano e compreenderás melhor- vale a leitura desses contos caninos aí