"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

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domingo, 29 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 28: A HORA DA COSTA RICA!

Costa Rica classificada no Recife (IG).
Numa postagem anterior, eu disse que a Grécia não seria fácil, como não foi. E também que a Costa Rica não poderia se assoberbar, como não o fez; aliás, ela respeitou o adversário até demais e por isso sofreu para se classificar.
 
Ao fazer o gol, numa arquitetura perfeita e um arremate preciso de Brian Ruiz, que deixou o goleiro grego parado, a Costa Rica ainda assim não mudou sua maneira respeitosa de encarar a Grécia e foi assim que, ao perder um jogador, expulso, teve toda a sua estrutura tática desmontada. A solução foi lutar para não levar gol e esperar por um contra-ataque milagroso. E à Grécia coube ir à frente, numa pressão intensa, recompensada pelo empate, assinalado por Sokratis, talvez com uma ajudinha do filósofo: 1x1.
 
Ao fim, ao vencer por 4x3 nos pênaltis, a Costa Rica viu seu esforço ser coroado pela vitória e sobretudo ganhou algum cadinho de tempo e descanso para talvez retomar sua história nesta Copa, que é mais de técnica e ataque que de superação e resistência. Nestes dois últimos quesitos, a mestra foi a Grécia, para a qual cada jogo foi uma batalha.

terça-feira, 24 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 21: BRAVA GRÉCIA

O pênalti que classificou a Grécia (MSN).
Os dois jogos que definiram hoje os classificados do grupo C, apesar da supremacia da Colômbia, que goleou o Japão, foram emocionantes, como quase todos os jogos desta Copa.
Em Cuiabá, mais uma vez ficou comprovado que é mais fácil reconstruir Hiroxima que o Japão acertar o gol. O resultado de 4x1 a favor da Colômbia comprovou também que o país sul-americano pratica um futebol de técnica e velocidade, como a Holanda e a França, e que pode, apesar da simpatia da arbitragem pelo Uruguai, aspirar a voos maiores nesta Copa. Seu camisa dez, James, é realmente um ótimo jogador e candidato efetivo a integrar a seleção da Copa. Distribui excelentes passes, faz gols (e fez mais um, bem estético) e não é fominha, como certos jogadores, que jogam para si mesmos, de olho em sua história pessoal. Merecidamente, e com sobras, a Colômbia alcançou o primeiro lugar, num grupo que não esteve à altura do seu poderio.
No outro jogo, em Fortaleza, o empate favorecia à Costa do Marfim, mas os deuses deram uma ajudinha à Grécia, que tirou forças do nada e conseguiu, já nos descontos, fazer 2x1. Foi um prêmio para um país que, mesmo tendo perdido na estreia por 3x0 para a Colômbia, não se entregou e foi melhorando, jogo a jogo. E tem histórico de superação, quando, em 2004, foi a grande zebra e ganhou a Eurocopa. Vai para o confronto com a Costa Rica como franco-atirador, e então tudo pode acontecer. O certo é que teremos nas quartas de final uma surpresa: ou Costa Rica ou Grécia, que no mínimo estarão entre as oito melhores seleções do mundo. O que, convenhamos, não é pouco.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 10: A CELESTE VIVE!

Suárez 2x1 Inglaterra (IG).
Mais cedo,  em Brasília, a Colômbia chegou aos seis pontos: 2x1 na Costa do Marfim. E ainda hoje, se houver empate ou vitória da Grécia contra o Japão, estará classificada para a próxima fase. Num grupo aparentemente fraco, mas não mais fraco que o do Brasil, a Colômbia parece sobrar e, firme, talvez caminhe para o seu melhor mundial, muito embora entre em campo contra Costa Rica, Uruguai ou Itália na próxima fase, e os dois últimos, além de indigestos, possuem um histórico de grandes conquistas, o que sempre pesa. Com dois ou três jogadores acima da média (James, Cuadrado), uma defesa firme e muita velocidade, tanto atacando quanto contra-atacando, a Colômbia não deve ter dificuldades para ser a primeira do grupo.
 
Horas depois, em São Paulo, o Uruguai não desperdiçou a chance de vencer e, talvez, mandar para casa, precocemente, os criadores do futebol. A vitória contra a Inglaterra foi heroica, e o mérito, do coletivo, mesmo que Suárez tenha feito os dois gols, ambos muito bonitos. Um 2x1 justo e arrancado com muita garra e técnica também, exemplificada pelos gols. Ah, se o Brasil jogasse assim, com 50% dessa vontade que empurrou os uruguaios sobre os ingleses e refez uma trilha de esperança para a Celeste. A verdade é que o Uruguai com Suárez é um e, sem ele, outro completamente diferente, e por isso foi surpreendido pela Costa Rica na estreia.

Em Natal, com um jogador a mais, o Japão bem que tentou ganhar a partida, mas demonstrou que não tem vocação para o gol e que precisa se aperfeiçoar, se quiser balançar as redes na última rodada. Foi um zero a zero empolgante, mas ainda assim um zero a zero, placar que deveria ser proibido por decreto. A outra vaga do grupo está aberta, com ligeira vantagem para a Costa do Marfim, que se classifica até com um empate, se o Japão não ganhar da Colômbia. Mas é quase certo que Japão e Grécia deram adeus à Copa.

sábado, 14 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 3: NO RITMO DE PIRLO

Foto: IG.
O terceiro dia da Copa começou em Belo Horizonte, com a vitória tranquila da Colômbia sobre a Grécia: 3x0. Muito embora a Colômbia seja um time talentoso, será sempre uma incógnita em Copas do Mundo, desde que Pelé, anos atrás, a cravou como campeã antecipada, depois de alguns feitos inusitados, como uma goleada sobre a Argentina em solo inimigo. Dali por diante a Colômbia não ganhou mais nada e viu uma geração de craques se encolher e apagar. Portanto, ainda que tenha vencido com certa facilidade e controlado o ímpeto da Grécia, a Colômbia antes de mais nada terá que superar seus traumas, o que não parece uma missão das mais árduas, se pensarmos que os adversários seguintes são Costa do Marfim e Japão. 

Do Ceará, veio, horas depois, a primeira "zebra" da Copa: Costa Rica 3x1 no Uruguai. Um mês antes da Copa comentei com um amigo que tanto Uruguai quanto Espanha eram times envelhecidos e marcáveis. O primeiro continua sem um meio de campo técnico e, agora, mais do que nunca dependente de um jogador que já não é mais o mesmo: Forlán. O segundo, a Espanha, viu seu jogo que há quatro anos era uma novidade ser desmontado pelos adversários e, a meu ver, não deverá, depois dessa derrota para a Holanda, esboçar uma reação muito consistente, a não ser que o Chile se acovarde. Portanto, a vitória da Costa Rica não chegou a ser uma surpresa, e quem viu o jogo desde o início sabia que estava por presenciar uma derrota do Uruguai, que jogava como um time sem inspiração, aferrado apenas aos nomes dos seus jogadores. Bastou a Costa Rica se dar mais confiança e colocar a bola no chão, para mostrar que é, com larga folga, o país da CONCACAF em que o futebol mais evoluiu. Em mundiais anteriores, a Costa Rica já havia demonstrado certo avanço, embora continuasse incapaz de se agigantar diante de adversários mais tradicionais. O que se espera agora é que ela não se superestime. Se isso não acontecer, fatalmente a Costa Rica estará na próxima fase, provavelmente ao lado da Itália, e, com alguma sorte, talvez até em primeiro lugar do grupo. Sempre cabe sonhar. 

No calor de Manaus, o jogo da Itália contra a Inglaterra tinha tudo para ser um espetáculo, e foi. Como se não bastasse a rivalidade entre os dois países, com cinco títulos nas costas, havia o fato de que a Costa Rica saíra vencedora do jogo anterior, e ambas as seleções, perdendo ou ganhando, tinham recebido o bônus de uma batalha a mais, pois o Davi do grupo ganhara corpo, ao bater a Celeste. Entraram então em campo com a missão de ganhar a qualquer custo para limpar a trilha futura de seus supostos percalços. Se era um jogo do "grupo da morte", tornou-se, de uma hora para outra, um jogo fatal. Mais organizada e técnica, na cadência de Pirlo, que ditava o ritmo e o toque de bola, sem pensar em ser o protagonista de nada (Ah, os Neymares deste Mundial!), a Itália tomou as rédeas do jogo, abriu o placar, levou o empate e, na volta do intervalo, assumiu de vez a vitória. E daí por diante se predispôs a marcar e se defender com eficiência. Sobra fleuma à Itália, que age e reage quase estoicamente, ao longo do jogo, como se não pudesse ser de outra forma. Nas vitórias, veremos isso como um mérito indiscutível, caso de ontem, mas, nas derrotas, haveremos de dizer que a Itália foi pachorrenta demais e por isso fracassou. Em suma, um ótimo jogo em Manaus, com três belos gols, disputado com lealdade, sem exageros, nem faltas duras, e gentilezas de lado a lado. Mais civilizado, impossível. Agora, a Inglaterra segue para o que talvez seja a sua última batalha, contra o Uruguai. E a Itália, que não veio ao Brasil à toa, mede forças com a Costa Rica. Creio que dois campeões voltam mais cedo para casa.

No jogo que fechou a noite, no Recife, o inesperado prevaleceu. Ninguém esperava que, àquela altura do primeiro tempo, o Japão fizesse um gol. Pois fez. E ninguém esperava que, àquela altura do segundo tempo, a Costa do Marfim empatasse. Pois empatou e virou. Num grupo encabeçado pela Colômbia e que ainda tem uma Grécia que é só força física e vontade, muitas vezes o suficiente para se chegar às vitórias, tudo pode acontecer.