"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

sábado, 13 de março de 2010

RENATA BELMONTE

Uma das maiores evidências de que um escritor é bom, e sua obra relevante, é a leitura pública. Aquele momento em que um leitor de literatura (que nem sempre é um professor) ou o próprio autor leem a obra para uma plateia específica e atenta. O fascínio estará nos olhos, e o impacto final, em especial se for um conto, no silêncio que se segue à leitura da última linha. A escritora Renata Belmonte (foto) passou com louvor por esse teste quando levei seu conto A mesma de tempos atrás para uma oficina de literatura que ministrei há mais ou menos três anos, em Cipó, BA. Quando terminamos de ler, as alunas (só havia mulheres na turma) estavam aferradas às cadeiras, sem ação. O impacto foi tamanho, que deixamos a discussão sobre o conto para o dia seguinte, uma manhã de domingo. E que discussão. Foi um dos pontos altos do curso. Na releitura que fizemos no domingo, a vida ganhou outra cor, outro sentido. E vimos o quanto a literatura, com sua linguagem que nos escapa, seu tecido indomável, é ao mesmo tempo espelho e raiz das pessoas: o que está na superfície e o que se oculta, por timidez, temor ou vergonha de se mostrar, como nesse trecho da autora, em que todos nós, mulheres e homens, nos reconhecemos:

"Apenas se você me perguntasse, eu responderia. Convivo bem com silêncios, com a falta de explicações. Fui menina criada em cantos, tranças feitas pelas empregadas, órfâ de pai, intervalo incômodo na vida da mãe. Por isso, diariamente, sou abandonada e não me importo".

Parabéns, Renata! Pelos seus 28 anos e pelos seus 3 livros, marcantes para muitos leitores: Femininamente (2003), O que não pode ser (2006), ambos premiados, e Vestígios da Senhorita B. (2009).

5 comentários:

Anônimo disse...

Graças à Renata, descobri que a prosa não era bem o que eu queria. O deslumbre e arrojo de seus textos sabiamente me estimularam a desbravar outros caminhos, e poupar o mundo de mais um contista fracassado. Sorte minha, sorte da literatura. Aquele abraço e felicitações Renata, pelo toque milagroso de seus textos (continue a salvar vidas).

Lidi disse...

Admiro muito a Renata como escritora e como pessoa. Deixo aqui os meus parabéns pelo seu aniversário! Um abraço, Mayrant.

Georgio Rios disse...

Parabéns, pela vida,pelos textos, muito falam a quem os lê!!!Felicidades Renata!

Viviane Costa disse...

Igualmente 'aferrada à cadeira', fiquei quando peguei Femininamente emprestado de um amigo e o devorei no meio de uma aula chata. Minha primeira reação foi escrever todas as minhas impressões à autora, estupefata por ter me sentido desnudada naqueles contos.

Rênate é linda talentosa e merece toda a felicidade, assim como todos os aplausos.

Linda a sua homenagem, Mayrant!

Um abraço.

Senhorita B. disse...

Meu muito obrigada para o autor desse texto que tanto me emocionou e para os autores dos comentários. Tenho-os no coração.
Beijos,
Renata