"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

Mostrando postagens com marcador Holanda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Holanda. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de julho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 37: BRASIL RIDÍCULO!

Nada será diferente, David Luiz vai continuar "armando" o ataque (MSN).
No seu último jogo pela Copa do Mundo 2014, com o terceiro lugar em disputa, o desempenho do Brasil foi ridículo. Felipão, que não fez mudanças substanciais em nenhum dos jogos anteriores (nem mesmo com o time perdendo de 2x0 para a Alemanha), ontem resolveu mudar às pencas e colocou em campo um monte de jogadores que, a rigor, são piores que os titulares. O lateral-esquerdo, então, é sofrível; não serve nem para sombra de Marcelo. Mas não vou me estender nisso, é chover no molhado: Galvão Bueno já disse, como uma espécie de porta-voz extraoficial da CBF, que daqui a dois meses haverá jogo... Portanto, não há tempo para renovação. Vamos seguir com a via-crúcis: Felipão no comando, os mesmos jogadores, os mesmos problemas, o mesmo Brasil senil que, se disputasse a Liga dos Campeões da Europa, não passaria da primeira fase. Ontem, diante de um time desmotivado e com a cabeça já em Amsterdã, o Brasil permaneceu o que foi ao longo de toda a Copa: sem ameaçar, sem criar, sem se defender com eficiência; e desorganizado, cabisbaixo, confuso, com os reservas tomando aos poucos as rédeas de Felipão na orientação dos companheiros que estavam em campo. Ao final, em ritmo de treino para a Copa de 2018, Holanda 3x0. A CBF deveria ter cunhado umas medalhas de latão para distribuir ontem. Blater, à cata de votos, se não concordasse com a quebra de protocolo, talvez fizesse vista grossa.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 35: PÊNALTIS, ARRE!

Argentina a caminho do tricampeonato (IG).
Holanda e Argentina fizeram possivelmente um dos piores jogos da Copa. Acovardadas, talvez por influência da goleada de ontem da Alemanha sobre o Brasil, jogaram antes para não tomar gols do que para fazê-los. E foram conduzindo, pachorramente, o jogo para a disputa de pênaltis.

(E não tem coisa mais maçante que decidir um jogo através de pênaltis. É a evidência de que não houve competência.)

Ao fim, "brilhou" (foi o que a imprensa disse) o goleiro argentino, com duas defesas; e nada pôde fazer o arqueiro holandês, que, em se tratando de pênaltis, não deveria mesmo ficar em campo. Neste quesito, o terceiro goleiro da Holanda é melhor, o que ficou comprovado contra a Costa Rica.

E mais uma vez Argentina e Alemanha vão decidir uma Copa do Mundo. Uma decisão tão monótona quanto o jogo de hoje.

sábado, 5 de julho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 33: MESSI VERSUS VAN PERSIE

De novo a Laranja (IG).
A Bélgica lutou um pouco; a Costa Rica um pouco mais. Porém, os resultados do dia refletem o esperado e especulado pela maioria quando o assunto é prognosticar: as grandes seleções, ao fim, chegam com vantagem sobre as demais, sem muita tradição. E assim, como o Brasil se impôs sobre a Colômbia, e a Alemanha sobre a França, a Argentina venceu a Bélgica (1x0) em Brasília, e a Holanda, a Costa Rica, em Salvador, muito embora esta necessitasse dos pênaltis, depois de um intenso 0x0, e de seu terceiro goleiro, Krul, que entrou em campo no último minuto da prorrogação para defender duas cobranças. É a razão acima da emoção. Veremos agora um duelo de Messi contra Van Persie. Poético já é. Se será mais ou menos prosaico, saberemos na quarta-feira. E até lá os dois já conhecerão seu adversário: Brasil ou Alemanha.

A par disso, falou-se muito ao longo do dia sobre o corte de Neymar da Copa do Mundo, depois da grave contusão que sofreu no jogo de ontem. E pede-se a punição de Zuñiga. E teme-se a sua ausência no Brasil. Não sou vidente, já disse, mas:

1) o jogador colombiano que aplicou a violenta joelhada em Neymar dificilmente será punido, pois não há evidência clara de deslealdade na cena, e o próprio Zuñiga, sem histórico de violência, já se encarregou de se defender, obviamente. O caso de Suárez é um, este é outro. Naquele prevaleceu o exotismo (mordida), um ato quase abstrato, que não podia ser previsto e que, além disso, é extra-jogo, incomoda como um corpo estranho no olho. O caso de Zuñiga pode ser avaliado como uma consequência do corpo a corpo, algo da natureza do futebol. Não há como se estabelecer se foi, de fato, uma agressão ou não.

2) na contramão do que se tem dito, acho que a ausência de Neymar será benéfica para o Brasil, que agora poderá ser mais coletivo, menos frenético, independente das arrancadas, nem sempre objetivas e sempre espalhafatosas, de Neymar. A verdade é que ele parecia estar mais interessado em seu desempenho pessoal do que integrar, como uma peça a mais, um conjunto vencedor. Em alguns momentos, tal aspecto tornava-se conveniente ao time, mas, no geral, o prejudicava. Não foram raros os lances em que podíamos decidir as partidas, e não o fizemos por causa do egoísmo de Neymar.

3) se a FIFA deve punir alguém pelo que houve, esse alguém é o árbitro espanhol. Um panaca em campo. Foi ele quem permitiu que se chegasse àquela joelhada. E deve igualmente atentar para o fato de que o juiz precisa realmente ser neutro, inclusive no idioma. Se o jogo envolve Brasil e Colômbia, coloca-se um árbitro francês ou italiano ou inglês ou sueco ou russo ou alemão. Um juiz que fale outra língua, de modo que não simpatize, nem inconsciente nem psicologicamente, com nenhum dos dois times. Contra o Chile, o juiz, se não me engano, também falava espanhol, o que é  uma lástima.

domingo, 29 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 27: A BANDA BOA DA LARANJA!

Huntelaar decisivo (IG).
Em Fortaleza, o México, à frente no placar desde o início do segundo tempo, cometeu um erro aos quinze minutos: retirou o autor do gol, Geovanni dos Santos, e colocou um defensor, com o propósito, evidentemente, de garantir o resultado com uma retranca. Do outro lado, a Holanda fez o inverso, trouxe mais atacantes para o campo, trocou Van Persie, que não estava numa boa jornada, pelo descansado Huntelaar e avançou o time. Resultado: virou o jogo para 2x1 e se classificou. Huntelaar, inclusive, foi decisivo: deu o passe para o gol de Sneijder e, friamente, bateu o pênalti que decretou a vitória.
 
Nenhuma simpatia que possamos ter pelo México esconde o fato de que, ao longo de sua história nas Copas, o país sempre jogou para não perder, e é muito difícil se mudar um estilo da noite para o dia. O México pagou o preço de sua natureza defensiva.
 
A Holanda, por sua vez, cumpriu o esperado e que sempre foi uma de suas mais elogiadas características: jogou para a frente. E talvez por isso conquistou três vice-campeonatos: jogar para a frente leva às decisões tanto quanto às derrotas,  porque nem sempre vence o melhor, nem aquele que mais se atira ao ataque. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 19: O ÓBVIO

Brasil coletivo (IG).
Nos quatro jogos do dia, deu o óbvio: em São Paulo, pelo grupo B, Holanda bateu o Chile por 2x0 e ficou com o primeiro lugar do grupo, ao passo que em Curitiba a Espanha se despediu da Copa com um 3x0 na esforçada Austrália. Mais tarde, em Brasília, pelo grupo A, Brasil 4x1 no já eliminado Camarões, enquanto o México, em Recife, despachava a Croácia: 3x1.
 
Os confrontos, portanto, ficaram definidos: Brasil versus Chile, Holanda versus México.
 
Neymar compensou seu individualismo com os dois gols, mas o gol mais importante do Brasil foi mesmo o de Fernandinho, resultado de um trabalho em conjunto e que é, no futebol moderno, a essência deste esporte praticado em todo o Planeta: na troca de passes entre Fernandinho, Oscar, Fred e Fernandinho, este fez o gol. Na Holanda aconteceu a mesma coisa: o segundo gol, em mais uma arrancada em velocidade de Robben, a bola passou por três jogadores da Holanda antes de chegar às redes.
 
O individualismo, consagrado pelo drible, é circunstância, um expediente necessário num momento específico, inevitável, e cujo propósito é livrar-se de um obstáculo, o adversário. Não é algo que se procure. Os dribles de Garrincha, por mais que sejam belos e empolgantes, ficaram para trás.
 
E a Espanha só na última rodada disse ao que veio nesta Copa. Uma vitória que é antes de tudo melancólica e marca o fim de uma hegemonia que, na minha opinião, sempre foi falsa: uma consequência da transição por que passou o futebol de 2002 para cá. A França volta a crescer, a Holanda se renova, o Brasil consegue se reciclar, a Alemanha se reinventa, a Bélgica ressurge, a Argentina e a Itália se apuram, o Uruguai revive, outras forças surgem, como Chile, Colômbia, México, Costa Rica, EUA e as africanas Costa do Marfim, Gana e Argélia. Dentre os primeiros provavelmente sairá o campeão, com ligeira vantagem para Holanda, Brasil, França, Argentina, Itália e Alemanha. Mas um país de menor expressão pode surpreender, e esta é a Copa das surpreendentes Costa Rica, Bélgica, Colômbia, EUA e Argélia.
 
Não era, de fato, uma Copa para os decadentes Portugal, Espanha e Inglaterra. O primeiro deposita tudo num jogador, que, por sua vez, parece meio entediado e fleumático em campo, alheio ao que pode produzir e muito afeito às situações de imagem pessoal (Neymar também caminha para isso); a segunda depende por demais de um sistema de jogo que não funciona mais e, além disso, não consegue implantar uma alternativa eficaz; e a terceira vive o fantasma de ter inventado o futebol e não conseguir jogá-lo modernamente.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 9: ATÉ 2018, ESPANHA!

Copa da caça, Copa do caçador (IG).
Em Porto Alegre, ao extraordinário gol de Robben para a Holanda, que correu meio campo até bater cruzado, seguiu-se um mais incrível ainda, maravilhoso mesmo, de Cahill, para a Austrália, apanhando de primeira, no ar, um lançamento alto da direita. (Talvez este seja o gol mais bonito de toda a Copa.) Vinda de uma goleada sobre a Espanha, a Holanda parecia não supor que a Austrália, também derrotada na estreia, pudesse lhe fazer frente. Pois se enganou. O jogo foi emocionante, e uma ou outra seleção poderia vencer, e venceu a Holanda, depois de tomar a virada e também virar: 3x2. 

Logo depois, no Maracanã, foi a vez do Chile fazer a sua parte, concluindo o que a Holanda dias atrás começou: 2x0 na Espanha, que volta para casa humilhada e já pensando o que fazer para se renovar. Ora, a Espanha voltou a ser o que sempre foi: uma seleção comum, de segundo ou terceiro escalão, a chamada Fúria. O que aconteceu em 2010 foi acaso. Se um país deveria se sagrar campeão naquela Copa era a Holanda. Mas o destino quis que vencesse a Espanha, para, agora, ver cair definitivamente a sua falsa hegemonia europeia e, supostamente, mundial. Até 2018, Espanha!

Com a Vitória da Croácia sobre Camarões por 4x0, em Manaus, o caminho do Brasil ficou menos árduo. Chega contra Camarões sem a necessidade de vencer e não deve enfrentar dificuldades, já que o adversário não aspira a mais nada. Que sorte, Felipão! Mas, no jogo seguinte, contra Chile ou Holanda...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 2: HOLANDA FRENÉTICA!

Foto: Van Persie (IG).
Em Natal, com dois times tão limitados, a chuva não parava, e o trio de arbitragem, provavelmente orientado pela FIFA (que fecha tudo e a tudo diminui), tentava a todo custo evitar que houvesse gol: três foram anulados, dois dos quais sem nenhuma razão. E assim passou, em meio ao fastio de torcedores e espectadores, o primeiro tempo de México versus Camarões. Um jogo de baixa qualidade, pior que o pior dos "clássicos" brasileiros da terceira divisão. No segundo tempo (e confesso que dormi um bocado), para a alegria de muitos e alívio do juiz, o acaso se encarregou de resolver o jogo, com um passe espírita para o Peralta: 1x0 México. Um jogo duro de se assistir, tão pífio quanto o de ontem.

Mas em Salvador os deuses do futebol, que não são poucos, nos reservaram uma surpresa. A um só tempo mais madura e rejuvenescida, a Holanda, com a rapidez de seus contra-ataques e o talento de seus melhores jogadores, triturou o desgastado relógio espanhol, com uma humilhante goleada de 5x1. E por pouco não era 7 ou 8. Sem dúvida que o solo brasileiro não traz eflúvios benéficos para a Espanha. Em seus três mais importantes jogos por aqui, tomou 14 gols e fez apenas 2: 1x6 (1950), 0x3 (2013) para o Brasil e agora o que vimos hoje. Sobre a Holanda, só temo que, como a Dinamarca de 1986 ou a Romênia de 1994, a Laranja se empolgue demais e fique pelo caminho. Espero que não, pois sempre admirei o futebol holandês e torço para que eles cheguem bem longe, inclusive ao título, depois de três vice-campeonatos... De resto, só ao longo do jogo compreendi por que a Espanha foi obrigada a jogar de branco, cor que ela temia, por lembrar a todos a goleada para o Brasil em 1950: o trio de arbitragem ia "jogar" de laranja. Ou seja: a FIFA considera os juízes mais importantes que os 22 jogadores em campo e, assim, obriga que a Holanda insolitamente jogue de azul, e a Fúria, de branco. Arre, FIFA!

Com a vitória do Chile sobre a Austrália por 3x1, num joguinho até mesmo surpreendente, muito mais pela valentia dos derrotados que pela categoria dos vencedores, a Espanha não pode mais perder pontos. Se empatar com o Chile na próxima rodada, corre o risco de ver sua classificação escapar com um simples empate de compadres entre Chile e Holanda na rodada final, supondo-se que esta vai naturalmente despachar a Austrália. Seria um triste fim de Copa para os badalados campeões mundiais de 2010, torneio que, por sinal, eles ganharam mais pela falta de adversários à altura que por seus próprios méritos. A verdade é que, por estes primeiros jogos, o nível técnico parece um pouco melhor que há quatro anos, e a tendência é que grandes jogos aconteçam. Um Brasil versus Espanha na próxima fase seria bem interessante, mas, pelo que se viu hoje, os espanhóis já estão pensando em 2018. E o Brasil deverá enfrentar o Chile.