"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

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domingo, 29 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 27: A BANDA BOA DA LARANJA!

Huntelaar decisivo (IG).
Em Fortaleza, o México, à frente no placar desde o início do segundo tempo, cometeu um erro aos quinze minutos: retirou o autor do gol, Geovanni dos Santos, e colocou um defensor, com o propósito, evidentemente, de garantir o resultado com uma retranca. Do outro lado, a Holanda fez o inverso, trouxe mais atacantes para o campo, trocou Van Persie, que não estava numa boa jornada, pelo descansado Huntelaar e avançou o time. Resultado: virou o jogo para 2x1 e se classificou. Huntelaar, inclusive, foi decisivo: deu o passe para o gol de Sneijder e, friamente, bateu o pênalti que decretou a vitória.
 
Nenhuma simpatia que possamos ter pelo México esconde o fato de que, ao longo de sua história nas Copas, o país sempre jogou para não perder, e é muito difícil se mudar um estilo da noite para o dia. O México pagou o preço de sua natureza defensiva.
 
A Holanda, por sua vez, cumpriu o esperado e que sempre foi uma de suas mais elogiadas características: jogou para a frente. E talvez por isso conquistou três vice-campeonatos: jogar para a frente leva às decisões tanto quanto às derrotas,  porque nem sempre vence o melhor, nem aquele que mais se atira ao ataque. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 19: O ÓBVIO

Brasil coletivo (IG).
Nos quatro jogos do dia, deu o óbvio: em São Paulo, pelo grupo B, Holanda bateu o Chile por 2x0 e ficou com o primeiro lugar do grupo, ao passo que em Curitiba a Espanha se despediu da Copa com um 3x0 na esforçada Austrália. Mais tarde, em Brasília, pelo grupo A, Brasil 4x1 no já eliminado Camarões, enquanto o México, em Recife, despachava a Croácia: 3x1.
 
Os confrontos, portanto, ficaram definidos: Brasil versus Chile, Holanda versus México.
 
Neymar compensou seu individualismo com os dois gols, mas o gol mais importante do Brasil foi mesmo o de Fernandinho, resultado de um trabalho em conjunto e que é, no futebol moderno, a essência deste esporte praticado em todo o Planeta: na troca de passes entre Fernandinho, Oscar, Fred e Fernandinho, este fez o gol. Na Holanda aconteceu a mesma coisa: o segundo gol, em mais uma arrancada em velocidade de Robben, a bola passou por três jogadores da Holanda antes de chegar às redes.
 
O individualismo, consagrado pelo drible, é circunstância, um expediente necessário num momento específico, inevitável, e cujo propósito é livrar-se de um obstáculo, o adversário. Não é algo que se procure. Os dribles de Garrincha, por mais que sejam belos e empolgantes, ficaram para trás.
 
E a Espanha só na última rodada disse ao que veio nesta Copa. Uma vitória que é antes de tudo melancólica e marca o fim de uma hegemonia que, na minha opinião, sempre foi falsa: uma consequência da transição por que passou o futebol de 2002 para cá. A França volta a crescer, a Holanda se renova, o Brasil consegue se reciclar, a Alemanha se reinventa, a Bélgica ressurge, a Argentina e a Itália se apuram, o Uruguai revive, outras forças surgem, como Chile, Colômbia, México, Costa Rica, EUA e as africanas Costa do Marfim, Gana e Argélia. Dentre os primeiros provavelmente sairá o campeão, com ligeira vantagem para Holanda, Brasil, França, Argentina, Itália e Alemanha. Mas um país de menor expressão pode surpreender, e esta é a Copa das surpreendentes Costa Rica, Bélgica, Colômbia, EUA e Argélia.
 
Não era, de fato, uma Copa para os decadentes Portugal, Espanha e Inglaterra. O primeiro deposita tudo num jogador, que, por sua vez, parece meio entediado e fleumático em campo, alheio ao que pode produzir e muito afeito às situações de imagem pessoal (Neymar também caminha para isso); a segunda depende por demais de um sistema de jogo que não funciona mais e, além disso, não consegue implantar uma alternativa eficaz; e a terceira vive o fantasma de ter inventado o futebol e não conseguir jogá-lo modernamente.

terça-feira, 17 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 7: NEYMARASMO

Neymar, o factótum (IG).
Este é o Brasil! Com o seu NEYMARASMO. Zero a zero mais do que justo, para um time que entra em campo e joga da mesma maneira do início ao fim. Se mais cedo a Bélgica ganhou da Argélia, foi por mérito do seu técnico, que, ao substituir três jogadores, o fez com o propósito de mudar o esquema de jogo e, assim, impor uma postura nova, diante da retranca do adversário. Mas Filipão troca o seis pelo meia-dúzia e não altera nada. Se o time não consegue chegar à área adversária, a solução é chutar de fora, e para isso era fundamental a presença de Hernanes. E não tirar Oscar: substituir um dos cabeças de área ou até os dois seria a solução mais correta, se de fato se quisesse a vitória. Terminado o jogo, a imprensa, sempre ufanista, e por vontade de justificar a inoperância da seleção, dependente de um jogador que é uma espécie de factótum, começa a dizer que o melhor em campo foi o goleiro do México. Piada. O melhor em campo foi a incompetência do Brasil.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

DIÁRIO DA COPA, 2: HOLANDA FRENÉTICA!

Foto: Van Persie (IG).
Em Natal, com dois times tão limitados, a chuva não parava, e o trio de arbitragem, provavelmente orientado pela FIFA (que fecha tudo e a tudo diminui), tentava a todo custo evitar que houvesse gol: três foram anulados, dois dos quais sem nenhuma razão. E assim passou, em meio ao fastio de torcedores e espectadores, o primeiro tempo de México versus Camarões. Um jogo de baixa qualidade, pior que o pior dos "clássicos" brasileiros da terceira divisão. No segundo tempo (e confesso que dormi um bocado), para a alegria de muitos e alívio do juiz, o acaso se encarregou de resolver o jogo, com um passe espírita para o Peralta: 1x0 México. Um jogo duro de se assistir, tão pífio quanto o de ontem.

Mas em Salvador os deuses do futebol, que não são poucos, nos reservaram uma surpresa. A um só tempo mais madura e rejuvenescida, a Holanda, com a rapidez de seus contra-ataques e o talento de seus melhores jogadores, triturou o desgastado relógio espanhol, com uma humilhante goleada de 5x1. E por pouco não era 7 ou 8. Sem dúvida que o solo brasileiro não traz eflúvios benéficos para a Espanha. Em seus três mais importantes jogos por aqui, tomou 14 gols e fez apenas 2: 1x6 (1950), 0x3 (2013) para o Brasil e agora o que vimos hoje. Sobre a Holanda, só temo que, como a Dinamarca de 1986 ou a Romênia de 1994, a Laranja se empolgue demais e fique pelo caminho. Espero que não, pois sempre admirei o futebol holandês e torço para que eles cheguem bem longe, inclusive ao título, depois de três vice-campeonatos... De resto, só ao longo do jogo compreendi por que a Espanha foi obrigada a jogar de branco, cor que ela temia, por lembrar a todos a goleada para o Brasil em 1950: o trio de arbitragem ia "jogar" de laranja. Ou seja: a FIFA considera os juízes mais importantes que os 22 jogadores em campo e, assim, obriga que a Holanda insolitamente jogue de azul, e a Fúria, de branco. Arre, FIFA!

Com a vitória do Chile sobre a Austrália por 3x1, num joguinho até mesmo surpreendente, muito mais pela valentia dos derrotados que pela categoria dos vencedores, a Espanha não pode mais perder pontos. Se empatar com o Chile na próxima rodada, corre o risco de ver sua classificação escapar com um simples empate de compadres entre Chile e Holanda na rodada final, supondo-se que esta vai naturalmente despachar a Austrália. Seria um triste fim de Copa para os badalados campeões mundiais de 2010, torneio que, por sinal, eles ganharam mais pela falta de adversários à altura que por seus próprios méritos. A verdade é que, por estes primeiros jogos, o nível técnico parece um pouco melhor que há quatro anos, e a tendência é que grandes jogos aconteçam. Um Brasil versus Espanha na próxima fase seria bem interessante, mas, pelo que se viu hoje, os espanhóis já estão pensando em 2018. E o Brasil deverá enfrentar o Chile.