"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 1 de novembro de 2009

COUNTEE CULLEN

COUNTEE CULLEN (1903-1946). Poeta negro norte-americano. Graduou-se em arte pela Universidade de Nova York e depois doutorou-se em Harvard. Escreveu e publicou vários livros de poemas, com destaque para The ballad of the brown girl (1928), Color (1925) e The black Christ and other poems (1929). Também publicou um romance: One way to Heaven (1932). Era acusado pelos críticos de não reunir em seus poemas “um sentimento racial profundo, quer na expressão, quer no ritmo”, apesar da influência de Keats. Ah, críticos!

INCIDENTE EM BALTIMORE

Uma vez andando em Baltimore
Com o coração cheio, o coração cheio de alegria,
Eu vi um menino baltimoreano
Olhando fixo para mim.

Eu era pequeno, tinha oito anos
E ele era pequeno como eu,
Por isso eu sorri, mas ele pôs a língua
E disse apenas, “Negro”.

Eu vi toda a cidade de Baltimore,
Desde maio até dezembro:
Mas de todas as coisas que ali aconteceram
É só do que eu me lembro.

(Trad. de Ribeiro Couto)

UMA SENHORA, EU SEI

Ela pensa que no céu também é assim:
Que sua classe se deita tarde e ronca legal
Enquanto, às sete, se levantam os pobres negros querubins
Para fazer o coro celestial.

(Tradução livre de Mayrant Gallo)

Um comentário:

Lidi disse...

Já conhecia "Incidente em Baltimore" do blogue Contramão. Li esta poesia na minha oficina de estágio, na UEFS. Não conhecia "Uma senhora, eu sei". Adorei, beleza de ironia. Um abraço.