"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 25 de maio de 2009

FIRMINO ROCHA, EM BRONZE

DERAM UM FUZIL AO MENINO

Adeus luares de Maio.
Adeus tranças de Maria.
Nunca mais a inocência,
nunca mais a alegria,
nunca mais a grande música
no coração do menino.
Agora é o tambor da morte
rufando nos campos negros.
Agora são os pés violentos
ferindo a terra bendita.
A cantiga, onde ficou a cantiga?
No caderno de números,
o verso ficou sozinho.
Adeus ribeirinhos dourados.
Adeus estrelas tangíveis.
Adeus tudo que é de Deus.
DERAM UM FUZIL AO MENINO.

FIRMINO ROCHA (1910-1971). Poeta do Sul da Bahia. Vestido de terno preto e gravata, e sem jamais abrir mão da cachaça, era um assíduo das noites de Ilhéus e Itabuna, recitando seus versos com vozeirão rouco e, especialmente, o poema acima, que está gravado em placa de bronze, na sede da ONU, em Nova Iorque. Agradeço a Valdomiro Santana o conhecimento deste poema. Ilustração: Pixotes, de Arno.

5 comentários:

JIVM disse...

Que belo poema!Bonito de arrepiar!

Hitch disse...

Absolutamente genial. Aquele abraço.

Georgio Rios disse...

Um canto de vida, nas cordas da guitarra da morte.Belo poema.Genial sin Hitch

Mirdad disse...

Mayrant e caros frequentadores deste ilustre blog:

Se der, não deixem de ouvir a entrevista de extrema clareza de José Inácio Vieira de Melo no programa Podcast K7, do blog El Mirdad - Farpas e Psicodelia.

Vocês podem tanto ouvir quanto baixar à vontade. Basta clicar nos links.

Abs a todos e longa vida à obra do cavaleiro de fogo!!!

Link blog: www.elmirdad.blogspot.com

Link direto da entrevista: http://elmirdad.blogspot.com/2009/05/podcast-k7-05-jivm.html

Lidi disse...

É, fuzilaram a inocência, a alegria, os sonhos do menino! O que restará no homem? Um abraço.