"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

EM LEMBRANÇA DE MINHA MÃE

Versão original, manuscrita, do poema.
Desde que entrou agosto, eu pensava no que postar aqui, hoje, para comemorar os 82 anos de nascimento de minha mãe, falecida em 18 de novembro de 2011. Por dias, fiquei a refletir e a tentar redigir, de memória, algum texto à altura de sua "presença em ausência". Por fim, e não é por acaso que se afirma ser “sempre mais escuro logo antes do amanhecer”, há dois dias despertei no meio da noite e comecei a rabiscar o seguinte poema, que, acredito, é uma homenagem mais digna do que qualquer texto que, em total consciência, eu chegasse escrever em lembrança de minha mãe. 

NOTURNO DE OUTRAS VIDAS

Sempre achei que morri no Titanic
Ou em Hiroshima
Ou Nagasaki.
Num banho de ilusão em Treblinka
Ou num terremoto no Cairo.

Mas hoje ― sei ― só morremos em duas ocasiões:
Na morte mesma
Ou quando nos vai nossa mãe.

6 comentários:

Lidi disse...

Belíssimo, Mayrant. Emocionada.
Um forte abraço.

Mônica Menezes disse...

Mayrant, um poema lindo, inesquecível, doloroso, como. Peço licença para postar no Facebook. Abraços.

Carlos Barbosa disse...

Meu caro, um poema dos grandes. E agosto entrou logo depois do seu aniversário. E nós passamos batido. Deixo aqui abraços pelo aniversário, por sua amizade, por seu talento literário. A gente se vê. Inté, amigo. (carlos barbosa)

Mayrant Gallo disse...

Obrigado, Lidi, Mônica e Carlos. Mônica, fique livre para reproduzir o poema no Facebook ou em qualquer outro meio. Abraço aos três!

Mirdad disse...

Bonito, meu amigo! Um grande abraço pra ti!

Mônica Menezes disse...

Mayrant, já coloquei no Face e tem feito muito sucesso. Obrigada. Um abraço.