"Eu respirava naquelas salas, como um incenso, esse cheiro de velha biblioteca que vale todos os perfumes do mundo." Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 27 de junho de 2010

PASSARINHO

Victor Vhil estava em seu gabinete, labutando com um conto, quando um passarinho pousou no peitoril da janela. Um pardal, um tico-tico, uma rolinha... Victor tinha certeza apenas de que não era um pombo.
– O que você está fazendo? – o passarinho perguntou, para surpresa de Victor.
– Escrevendo um conto. Mas provavelmente você não sabe o que é um conto...
– Sim, sei. Já li muitos – e o passarinho abriu as asas e distendeu-as para longe do corpo, como se quisesse se desprender de um peso, talvez de uma vida.
– Leu? – o assombro de Victor se intensificou.
– Sim. Mas nenhum de fato interessante.
Acesa a curiosidade, Victor se acomodou melhor à cadeira e se afastou de seu texto, um emaranhado de papéis rabiscados, rasurados. Ainda escrevia a lápis e depois emendava de caneta, ora azul, ora vermelha, muito raramente verde.
– Nenhum interessante?
– Não.

Quem quiser ler a continuação deste conto, vá à revista Verbo 21.

Imagem: o canário Woodstock, criação de Charles Schulz.

2 comentários:

Bípede Falante disse...

Vou lá :)

Rayuela disse...

Hola May,
vengo desde el blog de Bípede, ya que leí allí microrrelatos tuyos.Ella me dio tu dirección para poder visitarte.
Es un gusto pasar por acá.
(y voy a leer la continuación de esta historia)

un abrazo*