Henry Miller sobre Picasso: "As pequenas fraquezas que o fazem parecer ridículo fazem-no também deliciosamente humano". Esta generosa citação nos faz recordar Faulkner, quando ele recomenda que não devemos jamais julgar uma pessoa ou um ato, mas sim tentar compreendê-los, sempre. Compreender é o que importa. É o ato imprescindível. A postura elevada; restrita, porém, a uma pequena fração da humanidade.Demanda muito menos tempo e esforço ser sarcástico ou irônico ou desdenhoso, como o sujeito anônimo que me escreveu me chamando de cavalo (uma ofensa ao animal), porque usei a seguinte construção num dos meus minicontos da dupla Nicolau & Ricardo: “E não há nada neste mundo, naquele momento, que seja mais preciso, mais exato, que a imaginação daqueles dois”.
Acredita ele que os adjetivos “preciso” e “exato” têm o mesmo significado, são sinônimos. Ora, são e não são. Da forma como estão associados, são ao mesmo tempo uma reiteração e um acréscimo. Infelizmente, nem todo mundo “sabe ler”. E não é por culpa pessoal. Muitos são os fatores, em nosso tempo, que desfavorecem a leitura (ou a leitura correta, que reúne senso crítico, sensibilidade, referências, conhecimento), e o pior de todos talvez seja nos convencer de que aquele que escreve não sabe escrever.
Foto: Clark Gable, com um dos atores, num intervalo das filmagens de Os desajustados (1960), de John Huston.























