
“Villegouin, segunda-feira de Páscoa, 1892.
Uma bonita nuvem.”
O que tais palavras nos dizem? Que o jovem Giraudoux olhou para o céu e viu uma bonita nuvem, e que isso foi tudo o que lhe aconteceu naquele dia ou talvez o que de mais importante lhe aconteceu, a ponto de merecer uma anotação em seu diário? Talvez. E para mim o que elas significam? Sinceridade, naturalidade, espontaneidade, sensibilidade, poesia. Ou tão-somente a evidência de que muitas vezes a beleza – e o efeito que ela proporciona – não está na invenção, mas na surpresa, na imprevista aparição do simples num contexto em que se espera encontrar o exótico, o frenético. Muito do que escrevo tem esse propósito, mas só muito raramente chego a um resultado satisfatório. Talvez porque a profundidade do simples seja, em si, a mais difícil de alcançar.
Bem-aventurados os que conseguem.
Pintura: Summer landscape (1917), de Egon Schiele (1890-1918).
3 comentários:
O mínimo que posso dizer é que esse post é genial.
Abraços,
Renata
Muito raramente? Não necessariamente. Aquele abraço. T
Muito bom Mayrant.
Me fez lembrar Calvino.
Sempre aprendo aqui.
Abraço
Marie
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