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| Mais uma bela capa de Eugênio Hirsch. |
sábado, 25 de maio de 2013
A VIDA DENTRO DOS LIVROS, 3
quinta-feira, 23 de maio de 2013
"A ITÁLIA VAI GANHAR!"
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| Ele, sempre ele, Paolo Rossi. |
Além de ter organizado o livro 82, uma Copa, quinze histórias (Casarão do Verbo, 2013), colaborei no projeto com um dos contos, intitulado O pintor de paredes. Com este relato, tentei, depois de trinta anos, "apagar o vazio" que ficou em mim depois daquela derrota para a Itália em julho de 1982. Me lembro bem: o jogo acabou, saí de casa, andei até a rua e fiquei olhando de um lado a outro, completamente desnorteado. E havia um agravante; na noite anterior, um amigo havia me dito: "A Itália vai ganhar!" Ou seja: não sei, nem jamais saberei, se a Itália venceria mesmo o jogo ou se o venceu porque o destino operou com aquela predição. Afinal de contas, há muito mais mistérios entre o Céu e a Terra... Bem, o resto vocês sabem.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
82, O LIVRO
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| Cena de um dos três gols de Paolo Rossi. |
Amigos, o blogue do livro 82, uma Copa, quinze histórias já está no ar. Ali os leitores encontrarão, paulatinamente, além das informações referentes ao livro, lembranças, fatos e depoimentos sobre aquele fatídico jogo da Copa da Espanha: os 3 x 2 que a Itália aplicou no Brasil, mandando a Seleção Canarinho para casa mais cedo do que o esperado, e que sedimentaram a sua escalada até o tricampeonato mundial. E mais: as intrigas internas da Azzurra; a fala do centroavante Reinaldo, que chama Telê Santana de reacionário; a pungente história do editor Rosel Soares, imerso entre porcos depois do jogo; o vídeo da estreia do Brasil contra a URSS; a ida do escritor Elieser Cesar ao cinema para apagar o vazio da derrota; os detalhes do processo de criação dos contos e a biografia dos autores que integram o livro. Clique aqui.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
LEITURAS, 25: DORA BRUDER
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| Edição francesa, pela Folio, 1999. |
Dora Bruder, de Patrick Modiano (Rio de Janeiro: Rocco, 1998), é
sem sombra de dúvida uma pequena obra-prima. Mistura especulação ficcional com
realidade histórica, para remontar os passos do desaparecimento de Dora
Bruder, uma garota franco-judia de 16 anos que, em dezembro de 1941, foge de um
colégio interno, administrado por católicos, e, depois de perambular pelas ruas de Paris, é presa e vai parar num campo de concentração nazista. O autor
sugere que sua decisão talvez tenha sido motivada pelo entrecho do filme Premier
rendez-vous, cujo assunto é exatamente a fuga de uma moça de sua idade,
fato que não surpreende a ninguém, pois, naquelas circunstâncias, "Aos dezesseis anos, o mundo todo estava contra
ela, sem que ela soubesse por quê". Um livro singular sobre um dos mais terríveis
episódios da história da humanidade, o holocausto, e narrado com o estilo único
de seu autor, um dos mais festejados e, ao mesmo tempo, subestimados autores
franceses da atualidade.
Publicado originalmente na coluna Crítica Rasteira, da Verbo 21.
Publicado originalmente na coluna Crítica Rasteira, da Verbo 21.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
ESCRITOR PLURAL | RESENHA
Com o mesmo estilo sóbrio, límpido, conciso, cuidadoso e
carpinteiro de “um operário das palavras”, “um Sísifo que, em lugar de uma
pedra, rola montanha acima um saco abarrotado de signos, intenções e sintaxes”,
como se define o escritor na apresentação do livro, Mayrant Galo enfeixa 15
contos em Cidade Singular. Tributário
de autores que admira, o escritor passeia pelo relato noir norte-americano (“Você não é Sam Spade” e “A Bonnie dos
Barris”), pelo brasileiro Rubem Fonseca (“Brinquedo perdido”), por Camus (no início
de “Diários da piscina”), Borges (“O quasídromo”) e pelos desencontros
familiares em todas as prosas (“O fim da inocência”, “Pluma solta no vento” e
“Viagem adentro do ano militar”). Também exibe seu cosmopolitismo humano com a perícia
de um escritor plural que observa e denuncia os miasmas pulsantes de uma cidade
singular em seus desencontros. LER MAIS.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
BRASIL DE TODAS AS COPAS!
A ótima prosa de Luís Pimentel, contista, poeta e cronista, a serviço do Brasil de todas as Copas. Ilustrando suas ideias e seu humor, o Amorim. Não vou ao lançamento, pois o Rio de Janeiro não é ali, mas vou comprar meu exemplar logo-logo! Pimentel integra uma coletânea que organizei recentemente sobre a Copa do Mundo de 1982, mas ainda sem data de lançamento.
Clique sobre o cartaz para ampliá-lo.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
LEITURAS, 24: JAMILE SOB OS CEDROS
Jamile, seu noivo Khalil Khoury e, de repente, durante um passeio de verão, Omar. Os olhos de Jamille e Omar se encontram e, num tempo único, deles próprios, e que talvez seja a eternidade, mesclam-se, numa união que vai mudar suas vidas e, consequentemente, a do noivo preterido, narrador da história. Este é o argumento de Jamile sob os cedros, uma história supostamente verídica passada no Líbano do século XIX e que inspirou o escritor francês Henry Bordeaux (1870-1963) a escrever um de seus melhores romances. LER MAIS.
domingo, 5 de maio de 2013
MEUS "AMIGOS" PATRULHEIROS
| Eu mesmo, Maria Cecília e "Cidade singular". |
terça-feira, 30 de abril de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
QUASE QUE SÓ HÁ DITADURAS
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| Em O perseguidor, a liberdade é o artista. |
"Ora,
para onde olhamos há uma ditadura em curso... Cultural, política, econômica,
literária, acadêmica, de gosto... Ditadura de um tipo de cinema, de um tipo de
livro, de um tipo de política cultural, de uma teoria ou uma crítica... De
magreza, de beleza, de juventude, de cor, de raça, de sexo... De comportamento.
Quase que só há ditaduras. E, qualquer que seja o autor, ele precisa ser livre.
Não escrever nem para alguém nem para uma causa."
Trecho de entrevista que concedi ao blogue de literatura do iBahia. Quem se interessar por ler mais, acesse aqui.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
MAIGRET E O SILÊNCIO DO POETA
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| Porto Alegre: L&PM, 2010. |
quarta-feira, 17 de abril de 2013
CIDADE SINGULAR | ENTRADA
O texto abaixo compreende a seção 11 do
conto De ratos e homens,
que está no livro Cidade singular
(Kalango, 2013), a ser lançado em 29 de abril, no restaurante Casa de Teresa, Rio
Vermelho, às 19 horas. Comecei a escrevê-lo em 1995, e a primeira pessoa que o leu
foi Josélia Aguiar, jornalista em São Paulo, e que foi minha colega no marketing do Banco Econômico. Apesar dos elogios que
ela fez, o conto em si jamais me contentou e, ao longo dos anos, o trabalhei
incansavelmente. A última versão é, a rigor, de dezembro de 2011, mas não
hesitei, diante das provas do livro, no mês passado, em muda-lo mais uma vez.
Espero que o leitor o aprecie e, depois, o leia na íntegra. Josélia Aguiar foi
a primeira pessoa que me incentivou a publicar um texto, ao levar meu conto Bicicletas para o extinto caderno A Tarde Cultural, em 1995 ou 1996. E, para a minha surpresa,
num dos eventos literários a que compareci em 2012, um senhor se aproximou de
mim, me cumprimentou e disse que lera meu conto Bicicletas e ainda o mantinha guardado. Este foi um
dos maiores elogios que já recebi.
11
Não
encontrei meu pai nem meus irmãos. Percorri todo o anzol de areia e não os vi.
Também já era tarde, quase meio-dia. Pensei que talvez já tivessem voltado,
estivessem em casa, com minha mãe, prontos para almoçar, e que eu os atrasava.
Mesmo assim, não contive o desejo de me prolongar um pouco mais em meio àqueles
biquínis minúsculos. Perto da Praia Negra, surgiram os primeiros seios nus.
Eram miúdos e belos, de uma tonalidade mais clara e macia, que os evidenciava
já à distância. Causou-me surpresa o fato de que os poucos homens que ali
estavam não os olhassem. Ou não representavam um gosto, um gozo? Para mim, que
pouco os tinha visto, eram frutos do paraíso.
Ao fim
de mais ou menos uma hora, eu tinha sede e, fatigado, com o pensamento meio
turvo de tanto ver seios nus e procurar, sob os finos tecidos úmidos de suor e
sal, uma intimidade, decidi ir embora.
Mal
deixei para trás o Iate Clube e entrei pelo extenso trecho de terra que levava
à nossa casa, ouvi um pesado ruído de motor, que foi crescendo e logo me
ultrapassou. Os dois únicos caminhões do Corpo de Bombeiros do município me
deixaram para trás, sufocado numa nuvem de poeira e incompreensão. Iam sem
sirenes, e isso na hora me intrigou. Depois, em conversa com meu pai, ele
esclareceu que as sirenes são limpa-trilhos, não colônia pós-banho.
Era
impossível seguir os caminhões. Por isso, me contentei em tentar identificar, à
frente deles, o local do incêndio ― se é que era um incêndio. Podia não ser.
Crianças desapareciam em poços inativos, animais eram atropelados, trens
abalroavam carroças ou carros no cruzamento que conduzia ao cemitério. Eram
tragédias comuns, estas. Até então eu convivera com elas naturalmente. Ainda
hoje acontecem, e quase com a mesma frequência dos afogamentos de verão, que
não são poucos. Lus é uma luz que ofusca e nos empurra para a noite.
Só
quando avistei o fio de fumaça no horizonte, foi que me dei conta de que do
fundo de um dos caminhões o bombeiro Isaías me olhara de um jeito estranho,
pesaroso, quase dócil. A fumaça preta subia do conjunto de casas de telhado
simples, brancas, amarelas, verdes ou azuis, a minha no meio. (Cidade singular, p. 117-118)
Publicado originalmente na Verbo 21, em março de 2013.
sexta-feira, 22 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
LEITURAS 23: OS MARINHEIROS PERDIDOS
Publicado originalmente na coluna Crítica Rasteira, da revista Verbo 21, em fevereiro de 2013.
quarta-feira, 13 de março de 2013
KAFKA NA BAHIA
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| Cena de O processo (1962). |
O
Planserv, plano de saúde do Governo do Estado da Bahia, não está emitindo
cartões de plástico para os seus associados, porque o contrato com a empresa
que os fabricava se encerrou, e uma nova licitação terá que ser feita ― e todos
nós sabemos como as tais licitações (desculpa para quase tudo) são rápidas neste Estado.
Enquanto isso, minha esposa que teve o seu cartão roubado anteontem, terá que
emitir um novo através da internet, mas este cartão, supostamente provisório, é
tão fuleiro que o atendimento médico só ocorre mediante apresentação da carteira de
identidade. Ora, a sua identidade também foi roubada, junto com o cartão do
Planserv, e o SAC só emitirá outra daqui a duas ou três semanas... Este é o
Governo do Estado da Bahia, kafkiano ao extremo, complacente com o crime, negligente
com a saúde e que despreza a educação e o bem-estar das pessoas. Einstein estava certo, quando afirmou que o maior inimigo do indivíduo é o Governo.
sexta-feira, 1 de março de 2013
A PONTE DA INSENSATEZ
| A ironia de Flávio Luiz. |
Hoje, alguns dos leitores do Não leia!, comentando sobre o Metrô Imóvel de Salvador, que o atual governo imobilizou ainda mais, lembraram a ponte que eles querem construir, ligando Salvador a Itaparica. Obviamente que os (e)leitores só podem achar que, depois de tudo, esta ponte será mais uma piada. Pois foi isso mesmo que pensou o cartunista baiano Flávio Luiz, anos atrás, quando o projeto de construção foi anunciado. A charge acima sugere, com humor e ironia, que a ponte poderia se tornar a passarela de um incessante desfile de tudo o que Salvador é, para o bem e para o mal, e em grande parte por culpa dos políticos. Faraônica seria a ponte, mas seu uso, bem cotidiano, como a Av. Sete de Setembro, no Centro. O mais certo, porém, é que, pela tradição das últimas décadas, a ponte comece a ser construída e, depois de meses ou anos, pare, pela metade, como um braço amputado, suspenso na imensidão do mar. Um trampolim como aqueles sobre os quais, nos desenhos animados, os piratas obrigam que os marujos rebelados andem, para a morte... Um símbolo da insensatez dos políticos e de sua opção antes pela publicidade do que pelo bem estar da população que representam.
Clique sobre a imagem, para ampliá-la.
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METRÔ IMÓVEL NA CHUVA
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| Pichações e desgastes já são visíveis em vários trechos. |
Esse governo da Bahia deve supor que somos patetas ou eles mágicos para achar que, em 2015, eles continuarão sua ditadura ideológica. O maior símbolo de sua inoperância como gestores públicos, e que, no entanto, foi carro-chefe de campanha, é o Metrô de Salvador. Continua lá, parado, sob a chuva e o sol, o que nos leva, mais uma vez, à literatura, à poesia: "Há algo mais triste no mundo/ que um trem imóvel na chuva?" Mas eles não sabem o que é isso, pois nem Pablo Neruda, que foi comunista, eles leem.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
TAMBÉM, OS ENCANTOS DO SOL
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| Capa: Schäffer Editorial. |
Este romance é resultado da bolsa de criação literária MinC-Petrobras e sai pela Escrituras (SP). Comecei a escrevê-lo em 2004, ampliando o argumento de um conto, lido por Ângela Vilma e elogiado, com esta ressalva: "É história para mais páginas". Crítica e teórica da obra do grande Herberto Sales, que foi com igual êxito contista e romancista, Ângela Vilma sabe o que está dizendo, e como sabe!, e me incentivou, com aquele comentário, a transformar aquela história breve num romance ou, talvez, numa novela, como eu prefiro chamá-la. Foi o texto que escrevi que me deu mais prazer, até aqui. Ficar oito anos envolvido, ainda que como criador, com vários personagens é uma experiência única, e acho que alguns escritores protelam a conclusão de seus romances ou novelas não somente porque são rigorosos quanto à linguagem, mas igualmente porque, envolvidos com a história, é como se fossem também personagens e, assim, vivessem outra existência, sem nenhum dano para as suas vidas reais, como frisou Ernst Fischer. O lançamento está previsto para abril. A capa, de caráter conceitual, bem diferente dos meus últimos livros, já está definida, e o miolo encontra-se em fase de finalização, nas últimas correções.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
BAHIA: EDUCAÇÃO SEM LEITURA
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| Charge de Altair Oliveira da Fonseca. |
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
AS AVENTURAS DE BIMBA RHUIM E SUA TRUPE
1.
Desafeto e saia
Chegou
a excessos emotivos a recepção a Bimba Rhuim e Papaiva durante a posse dos
mesmos no Cecult ― Centro Executivo de Cultura ― do Estado de Baraúna.
Oriundos
do povo ― o primeiro foi dublê de anão, mesmo não sendo anão, em Engovewood, e
o segundo regeu, com singular êxito, em Caracas, um coral de capivaras ―, ambos
prometem democratizar a cultura ― ou será arte? Não importa! Às vezes eles usam
uma palavra, às vezes a outra.
Durante
os festejos, nos quais não faltaram manifestações artísticas ― ou serão
culturais? ―, com cobertura de toda a imprensa de Baraúna, Bimba Rhuim,
presidente do Cecult, e Papaiva, chefe cultural, fizeram imitações. O primeiro
arrancou aplausos com sua performance de Carla Pérez, célebre dançarina de
lundu na Bahia, e o segundo ― nem precisou de frutas para dublar Carmen
Miranda.
No
dia seguinte, na entrevista coletiva, à mesa, um ao lado do outro e mais dois
assessores representativos, Bimba Rhuim ouve a imprensa.
―
Sr. Presidente ― começou um repórter ―, como o senhor pretende aparelhar sua
equipe? ― e antes que Rhuim o corrigisse, ele emendou: ― Quero dizer, sua
trupe?
―
Com saia rodada... ― disse, nem alto nem baixo, outro repórter, de modo que
todos ouviram e de modo que, mesmo assim, todos se calaram.
CIDADE SINGULAR, EM BREVE
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| Foto da capa: Jameson Pedra. |
Esta é a capa provisória de Cidade singular. O editor ainda está trabalhando sobre ela, que pode sofrer uma ou outra alteração, nas cores, especialmente.
Em breve, divulgaremos o dia e o local do lançamento e abriremos a opção de compra direta no site da editora, com antecedência e, provavelmente, por um preço mais convidativo.
O livro reúne contos escritos nos últimos vinte anos. O mais antigo data de 1993, e o mais recente só foi finalizado este ano. Assina a orelha a professora e escritora Dalila Machado. A editora é a baiana Kalango, de Simões Filho.
"A ESTRADA" DO FIM DO MUNDO
Durante os últimos anos, virou moda investir em filmes e romances sobre o fim do mundo. Especialmente por ocasião da virada de 1999 para 2000 e durante o curso do ano de 2012, quando uma certa previsão espúria correu os quatro cantos do planeta. Muito antes deste nosso tempo, em que as modas literárias têm a duração de um sopro, Ray Bradbury escreveu um dos contos mais exemplares e simbólicos sobre o assunto aqui em questão: A estrada. Corria a década de 1950, quando Bradbury escreveu e publicou Uma sombra passou por aqui (The illustrated man, 1951). Ele já era um autor célebre, respeitado por muitos escritores de língua inglesa, como Huxley e Isherwood, por causa da repercussão de Dark carnival (1947) e, sobretudo, de As crônicas marcianas (1950). Com a carreira apenas no início, e três livros importantes publicados, e prêmios acumulados, repercussão nos EUA e no mundo, Bradbury se consagrou definitivamente com Fahrenheit 451 (1953), filmado em 1966 pelo cineasta francês François Truffaut. A trama do conto aqui mencionado é simples, e é isso que deixa o leitor perplexo: Hernando mora com a esposa numa casa à beira de uma estrada de trânsito intenso. Um dia ele percebe que não passa nenhum carro. Por horas e horas. Acha estranho e comenta com a mulher. Então, de súbito, surge um automóvel com um homem e duas ou três moças. Eles estão apavorados e querem um pouco de água para pôr no radiador. Hernando traz a água, e todos ficam agradecidos. As mulheres não param de chorar, no entanto. E o motorista diz para Hernando que explodiu a guerra atômica, que tudo vai se acabar, é o fim do mundo. E vai embora. Em casa, a mulher pergunta o que aconteceu. Hernando responde; "Nada". E depois pergunta a sim mesmo: "O que eles quiseram dizer com o fim do mundo?" Alienação, alheamento, desdém, ignorância, atribuam a este comportamento o que quiserem, mas Hernando é quem menos vai sofrer. A última edição brasileira de Uma sombra passou por aqui é a da extinta Edibolso, 1976, com tradução de Ruy Jungmann. São vinte contos enquadrados entre um prólogo e um epílogo.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
MINICONTOS REAIS, 2: KARNAVAL
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| O Carnaval. Entre os foliões... |
O Dr. Spinola, médico respeitado em Juazeiro, foi passar o Carnaval em Salvador. Do camarote de luxo, ao lado de amigos e familiares, viu o circo passar, a noite inteira. Riu, dançou, fez os comentários comuns em tais ocasiões. Quase de manhã, ao deixar o local, foi surrado sem motivo algum por uma súcia de foliões e, em seguida, internado num hospital, onde veio a falecer. Em sua cidade, houve comoção durante o seu sepultamento, que reuniu centenas de pessoas, ao passo que, em Salvador, os responsáveis e as autoridades já planejam o próximo Carnaval.
Foto: Pousada São Bento.
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